CEOs de empresas aéreas criticam o turismo do Brasil

CEOs de empresas aéreas criticam o turismo do Brasil

No evento LIDE Turismo, em um painel realizado na última semana, os CEOs Celso Ferrer, da Gol, John Rodgerson, da Azul, e Jerome Cadier, da Latam, teceram críticas unânimes – fenômeno poucas vezes visto – ao setor turístico do Brasil. O debate abordou alguns dos motivos pelos quais o setor não cresce no país. Assim, a fala dos executivos veio em tom de alerta e cobrança por mudanças estruturais e de união entre as companhias concorrentes. Dessa maneira, os CEOs apontaram a estagnação do número de passageiros, os impostos elevados e a precisão de incentivar o brasileiro a viajar pelo país.

Celso Ferrer afirmou que a aviação tem tentáculos por todo o setor turístico e que a falta de crescimento no número de passageiros ocasiona em consequências diretas na economia. Apesar de os números de 2026 serem positivos e baterem alguns recordes, como explorado em outras notícias no Blog Travelei, a quantidade de viajantes aéreos, ao longo da última década, se mantém entre 95 e 100 milhões de pessoas anuais. O CEO da Gol ainda definiu três pilares fundamentais para o crescimento do turismo. São eles a infraestrutura, o comportamento do consumidor e os incentivos fiscais.

“A melhora da aviação nesta década se deve à infraestrutura, que evoluiu nos últimos anos. As companhias só estão voando como estão, só colocaram mais rotas, devido à conectividade permitida pelos hubs nacionais e regionais”, afirmou Ferrer. O executivo ainda ressaltou que a tarifa média no Brasil, de cerca de US$40, se mantém, mas o setor compete com outras frentes de consumo. Estas são, nas palavras de Celso, o e-commerce e as casas de aposta online.

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O que diz o CEO da Azul

John Rodgerson apelou para que o brasileiro valorize mais os destinos nacionais e seja um propagador de seu próprio país, tanto aqui quanto no exterior. “É um absurdo que a maior parte dos gastos do MICE [reuniões, incentivos, conferências e exibições] brasileiro está em Orlando. As três companhias que estão aqui têm voos para lá, mas por quê não fazer viagens de incentivo para o Nordeste? Por que não conhecer as belezas de cada região deste país tão múltiplo?”, disse o CEO da Azul.

John ainda teceu duras críticas aos custos operacionais no Brasil. Conforme o executivo, tributar a aviação no país é “a coisa mais burra que pode ser feita”, afirmando que a nação tem o QAV (querosene de aviação) mais caro do mundo, apesar de ter a matéria prima e a capacidade de refino. Por fim, Rodgerson cita que o Brasil precisa e tem capacidade de triplicar o número de viajantes por habitante para se equiparar a países vizinhos como Chile, Colômbia e México.

O que diz a Latam

O CEO da Latam, Jerome Cadier, foi mais categórico, sem medir limites para as críticas. “Se individualmente nós, companhias aéreas, fazemos todos um trabalho bom, coletivamente o turismo do Brasil faz um trabalho medíocre”, avaliou ele. Ademais, Cadier ainda comparou o desempenho do Brasil com o Chile, que possui o dobro de passageiros por habitante, criticando a fragmentação do mercado.

Sobretudo, Jerome disparou contra a reforma tributária no setor do turismo, afirmando que a Latam, que hoje paga R$2 bilhões em impostos, passará a pagar R$6 bilhões, um aumento de 200%. Diante deste cenário, o executivo pediu uma visão de longo prazo para o setor, rememorando que o Brasil teve 20 ministros do Turismo em 20 anos, inviabilizando políticas consistentes. “Uma aeronave, para operar no Brasil, custa de US$40 milhões a US$200 milhões, e só vai se rentabilizar em sete anos. É impossível evoluir na aviação no curto prazo”, explicou.

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